Faz tempo que não posto algo aqui (completa falta de tempo). Mas gostaria de compartilhar a minha resposta ao desafio da música Hotel California, da banda Eagles. Produzi a fic SPN Hotel Califórnia: Despedida de Julie Litman em cinco capítulos. Colocarei o primeiro aqui, e postarei os outros no decorrer dos dias. Espero que gostem.
Capítulo 1
James saiu do veículo e tratou de tomar as devidas medidas de sinalização. Logo em seguida pegou seu celular para chamar um reboque. Sem sinal, que surpresa! Não importa quão avançada é a tecnologia, ela sempre falha quando se precisa dela. O rapaz coçou a cabeça, imaginando no que faria a seguir e lançou um olhar naquele cenário sombrio, olhou para o céu e sentiu a noite com todo seu ardil e todos os seus açoites, a lua parecia desbotada, de repente ouviu um lobo uivar, observou um cão morto pela rua, e sua coragem parecia esvair sorrateiramente pelo vão do bueiro da estrada.
De repente ele notou ao longe uma silhueta feminina. Inicialmente, ele pensou que fosse uma ilusão de ótica. Mas a imagem se aproximou dele e tornou-se mais nítida. Era uma bela e atraente mulher que lhe chamou muito a atenção. Ele ficou imaginando o porquê de ela estar ali, no meio do nada, e resolveu segui-la. Talvez ela pudesse ajudá-lo a sair daquele lugar.
O rapaz caminhou atrás da misteriosa mulher por uma meia hora, até deparar-se com a estrutura de um pequeno edifício abandonado. Havia uma placa pendurada na fachada do prédio, onde ele pôde ler “Hotel California”. Era só o que me faltava, ele pensou. Estou em frente a um sucesso do rock clássico. Então, ele foi até a porta e entrou.
Seus olhos vasculharam rapidamente o hall do hotel abandonado. Mesmo com a espessa poeira sobre os móveis e as teias de aranha penduradas no teto, e o mofo que fincava profundas raízes nas paredes, observou o soturno ambiente com suas memórias parcialmente corroídas, talvez por um terrível câncer ou quem sabe por uma insignificante traça.
O local parecia ter sido congelado no tempo. Ele pôde até imaginar os hospedes e funcionários andando de um lado para o outro ali. Se ele tivesse sorte, poderia encontrar um quarto com uma cama onde ele poderia passar a noite.
Ele notou um barulho vindo de seu lado esquerdo. Virou seu rosto para essa direção, procurando a origem do ruído. Andou alguns passos até o que parecia ser o bar do hotel. Atrás do balcão, James avistou um homem vestido com um uniforme militar. Coçou a cabeça, confuso. Não bastasse a mulher misteriosa que o trouxera até ali, agora havia esse estranho barman. Mas, já que estava ali, ele se aproximou e fez um pedido ao capitão:
-Por favor, pode me trazer um vinho?
O homem o encarou seriamente e respondeu:
-Nós não temos isso em disposição desde 1969.
Após dizer isso, o militar desapareceu em um piscar de olhos, bem diante de James. Ele se assustou e, sem tentar procurar alguma explicação lógica para aquilo, decidiu que tinha que sair daquele lugar o mais rápido possível. Correu o mais que pôde em direção à saída, mas se deparou com uma porta fechada à correntes.
James se encostou na parede, limpando o suor frio que escorria pela sua testa. Foi quando a mulher que o atraira até ali apareceu diante dos seus olhos, assustando-o novamente. Ele tentou conter sua reação, perguntando:
-Por favor, pode me ajudar a sair daqui?
A bela moça aproximou-se lentamente dele e respondeu:
-Sinto muito. Você entrou livremente por essa porta. Mas nunca mais poderá sair.
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Uma semana depois...
Julie entrou no quarto de um hotel qualquer de Fremont, equilibrando em sua mão direita a chave e uma pequena mala, enquanto com a esquerda segurava seu celular próximo ao ouvido. Ela depositou a bagagem em uma mesa, fechou a porta e continuou a conversa telefônica com seu pai:
-Isso, papai. Não há um momento melhor pra resolver esse caso que agora. Bem quando estou prestes a me aposentar das estradas, aparece o corpo desse tal James Bansfield .
-Mas o que é que tem esse cara de mais, Julie? – disse a voz do outro lado da linha.
-Ele desapareceu misteriosamente há uma semana atrás, quando estava a caminho de Fremont. Há três dias acharam o carro dele em um ponto qualquer da estrada, que por um acaso era um quilômetro bem próximo ao antigo Hotel Califórnia. Com a ajuda de um daqueles cães farejadores, a polícia acabou achando o cadáver do cara, que estava bem próximo ao edifício do hotel, assim como nas mortes anteriores.
-E você ficou toda contente, não é?
-Claro, papai. Quer dizer... – ela gaguejou, percebendo a besteira que tinha dito. – não porque o cara morreu. Mas porque eu tenho essa possibilidade de encerrar as minhas caçadas com chave de ouro. Você sabe que o Hotel Califórnia é o meu Santo Graal.
Ela ouviu o pai sorrir do outro. Ele achou graça pois, mesmo sabendo que a escolha dela de abandonar essa vida para ser feliz ao lado de Chris Milles havia sido totalmente espontânea, ele sabia que no fundo ela amava o que fazia.
-Ok. Julie Litman poderá se gabar disso também.
-Depois disso será Julie Milles, Joe.
-Odeio quando você me chama de Joe.
-Desculpa, pai.
Ela caminhou até a janela, abrindo-a e deixando a luz do sol invadir o quarto.
-Qual desculpa você deu a Chris?
-Viagem para casa de parentes. Aparentemente, tenho um tio em Chicago.
-Fico feliz que breve você não terá mais a necessidade de contar mentiras.
-Acho que é a melhor parte, papai.
-Boa sorte aí. E qualquer coisa, não hesite em ligar. Vou correndo pra você, querida.
-Pode deixar, papai.
-Qual o próximo passo?
-Vou à noite no tal Hotel Califórnia. Talvez haja algumas pistas lá.
-Certeza, filha? Não é melhor pesquisar mais um pouco?
-Quero dar uma conferida no lugar com meus próprios olhos.
-Ok, você sabe o que faz. Vou desligando. Tenho um joguinho de poker com seu futuro marido.
-Boa sorte... Joe.
-Julie...- o seu tom de voz era de repreensão.
A garota gargalhou. Adorava irritar o pai.
-Desculpa, papai.
-Só por causa disso vou limpar as economias de Chris. Vocês vão passar a lua-de-mel debaixo da ponte.
-Eu não falaria isso se fosse você, papai. É a primeira vez que joga com Chris, não se esqueça.
-O que você sabe que eu não sei?
-Nada. Mas depois me conta como foi. Quero saber o que deu a jogatina aí.
-Impressão que perdi alguma coisa. Mas tudo bem. Se cuida, viu?
-Ok, papai. Tchau.
Ambos desligaram o telefone. Julie arrumou e suas coisas e tratou de ir atrás de alguma refeição. A noite ia ser comprida e movimentada.
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A escuridão atrapalhava a sua visão, mas aguçava os seus sentidos notívagos e seu instinto furtivo e um pensamento lhe invadiu repentinamente: a noite desperta a cólera dos vampiros, então ela pegou uma lanterna na mão esquerda para iluminar o caminho, enquanto segurava sua 9mm de confiança com a outra. Nenhum rastro ou pista foi encontrado por ela. Somente algumas fitas amarelas da perícia, um pouco de pó espalhando por alguns locais na parte de fora do prédio e uma risca de giz no chão, provavelmente onde tinha sido encontrado o corpo.
Foi quando seus ouvidos captaram um barulho. Ela não estava só ali. Será que era um policial? Difícil saber. Ela amaciou seus passos, de forma que a sua aproximação não fosse notada. Continuou andando ao redor do edifício, indo para a parte dos fundos.
Ela viu uma pessoa, aparentemente um homem agachado,olhando algo no chão. Ela se aproximou lentamente, pé ante pé, até estar em uma distância próxima o suficiente para apontar a arma no topo da cabeça do cara. Encostou o cano de sua 9mm contra o couro cabeludo dele e engatilhou-a rapidamente, utilizando de um tom ameaçador em sua voz:
-Parado aí!
O sujeito ergueu as mãos para o ar.
-Julie? É você?
-C-como sabe meu nome? – ela apertou mais ainda a arma contra a cabeça do rapaz.
-Posso?
-O quê?
-Me virar.
-Devagar. – ela se afastou dois passos para trás.
O rapaz manteve-se sobre os joelhos, girando devagar, até que a caçadora pode ver o seu rosto:
-O que você tá fazendo aqui?
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Continua...
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