Segue a continuação...
Capítulo 3
Reencontrar Julie Litman não havia sido muito bom para Nate. Fazia cerca de seis meses que não a via. Quando resolvera que a esqueceria. Que deixaria o caminho livre para que ela fosse feliz com Chris Milles. Era melhor dessa forma.
Já tinha se acostumado com a ideia. Até não mais pensava nela com a mesma frequência de antes. Mas revê-la o havia feito recuar no tempo, quando a desejava mais do que tudo. Fez seu coração bater forte, suas mãos suarem e as palavras faltarem como antes. Isso o fez concluir que aquele sentimento nunca havia mudado ou desaparecido, somente ficara adormecido. E agora parecia muito mais intenso do que da última vez, quando roubara dela um beijo e ganhara um soco de recompensa.
Talvez não tivesse que ter feito aquela proposta de eles trabalharem juntos. Porque teria que ficar muito perto dela novamente. E, por mais que s negasse racionalmente a não pensar mais nela dessa forma, sabia que o seu coração não o obedeceria. Seria assim, essa luta interna interminável, até que ela fosse embora, definitivamente. Para ficar com Chris. Droga, como ele desejava estar no lugar do rapaz, nem que fosse por um único instante.
Quer saber, dane-se. Já estava ferrado mesmo. Passara os últimos seis meses se lamentando, esperando por revê-la por mais uma única vez que fosse. E agora ela estava ali, mais perto do que nunca. Era sua última chance, não poderia deixar passar.
Nate estava perdido em suas reflexões enquanto terminava de se trocar. Tinha acabado de tomar um longo banho. Seus cabelos ainda estava umidecidos e havia uma toalha ao redor do seu pescoço, para evitar que as gotículas de água caíssem sobre seus ombros. Ele ainda não havia colocado a sua camisa e, enquanto se olhava no espelho, passava a sua loção pós-barba favorita. Sim, estava mais vaidoso que o normal. Tinha plena consciência disso. Batidas na porta. Precipitou-se a atender. Sabia que era ela.
Julie sabia o que esperar atrás daquela porta. Seu amigo. Mas o que viu quando ela foi aberta foi algo mais. Droga, não se lembrava se Nate alguma vez tinha feito o seu sangue ferver. Não recordava se alguma vez o havia achado tão atraente como agora. Ela recuperou o fôlego do baque inicial, entrando no quarto dele e tentando ignorar a visão que a afetara por alguns breves segundos.
-Não tá pronta ainda, princesa? – o humor ácido era sempre a sua maior saída.
-Nem todos se aprontam em dez minutos e ficam bem como você, Litman. – ele fechou a porta e indicou uma cadeira para ela se sentar.
-Achei que íamos caçar e não ir a um evento social. A menos que você esteja afim de paquerar algum fantasma, Díaz.
-Ok, pode parar, Julie. – ele se sentou na cama, de frente para ela, um ouço irritado – Você já usou a sua dose de zombaria por hoje. Algum motivo para vir aqui mais cedo, além de tirar uma com a minha cara?
-Dei mais uma vasculhada por aí; Sabe, lendas e fofocas locais são o máximo. – ela parecia entusiasmada com suas próprias descobertas – Pois é, descobri que nosso amigo Jonathan não era o marido do ano e andava enfeitando a cabeça da esposa, inclusive com funcionárias do hotel.
-Hum... – ele se levantou e coçou o queixo, como que refletindo – Você acha então que ela pode ter enlouquecido e...
-Ter prendido o marido, a amante dele e os outros trouxas dentro do hotel.
-Isso explicaria a obsessão do espírito de não deixar ninguém sair vivo de lá.
-Exatamente o que pensei, Nate.O que um acesso de ciúmes não faz.
Julie encontrou os olhos de Nate fitando-a fixamente. Ela se perguntou o porquê de ele a estar olhando daquela forma. E o motivo pelo qual ele se aproximava lentamente, colocando cada uma de suas mãos nos apoios da cadeira em que ela estava sentada, como se não a quisesse deixar sair dali.
-Pois é. Ciúmes, ... amor, ... sentimento incontrolável, não? Nos fazem cometer loucuras...
Droga, ele tinha prometido que não ia tentar nada. Tinha que pensar em algo para se desviar. E rápido.
-Estamos falando do caso, certo?
-Mas é claro. – ele estava usando o seu charme, como quando queria conquistar uma garota.
-Nate...
-O quê? – sua voz saiu em um suspiro.
Ele devia saber o quanto era charmoso, não é possível. Estava fazendo de propósito. E ela não era feita de ferro, tinha sangue correndo nas veias. Nate a desconcertava com aquele olhar e seu sorriso marcante. Até que ela se lembrou o porquê de estar ali.
-Nathan... – a tempos ela não o chamava pelo nome, mas nem isso o impediu de avançar.
Vendo que não tinha muita saída, colocou suas mãos no peito dele, empurrando-o para longe com toda força e se afastando.
-Você prometeu, Díaz... – foi só o que ela pode dizer, ficando de costas para ele.
-Eu achei que...
-Você anda achando coisas demais, Nate. – ela avistou uma camisa e, sem se importar se ficaria amassada, jogou-a com força no rapaz. – Mas você sabe a verdade. Eu sempre fui muito clara.
-É, eu sei. – sua expressão demonstrou frustração, enquanto ele vestia a peça de roupa e tentava deixá-la mais lisa em seu corpo – Não sou eu o primo que você quer.
Julie olhou para o rosto entristecido de Nate. Droga, não queria vê-lo daquela forma. Eles se conheciam desde sempre. Gostava demais do amigo.
-Olha, Nate. – sua voz já não mostrava a mesma fúria de antes - Aconteceu. Chris e eu... não planejamos nos apaixonar, mas...
-Tá bom, Julie. Olha, esquece, ok? Eu sei tudo isso. – ele se aproximou dela, segurando suas mãos – Não se preocupe comigo. Eu não deveria insistir em uma coisa que eu já sei que é assim.
-Eu não quero que isso afete a nossa amizade mais do que já afetou, Nate...
-Não vai. Vamos terminar isso. Tá tudo bem. – ele forçou um sorriso, soltando as mãos dela e pegando sua arma para colocar na cintura – Temos que achar a Leslie, certo?
- Certo.
-Sua espingarda está devidamente carregada com balas de sal? Temos um fantasminha nada camarada pra dar uns tiros.
-Positivo.
-Ótimo. Vamos acabar com isso de uma vez.
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O Dodge estacionou em uma parte da estrada próxima ao local de onde ficava o edifício do Hotel Califórnia. Os caçadores haviam optado por utilizar um único veículo, para facilitar possíveis fugas. E, como a garota Litman era muito possessiva com relação ao seu carro, Nate se viu obrigado a ceder à vontade da moça.
Ambos saíram do carro e foram pegar algumas coisas no porta-malas. Espingardas de cano serrado, balas de sal extra, revólver com munição comum, lanternas, medidores de onda eletromagnéticas, ... enfim, obejetos indispensáveis naquela missão. Enquanto faziam os últimos preparativos, Julie cantarolou uma canção:Welcome to the Hotel CaliforniaSuch a lovely placeSuch a lovely face
Nate parou e a encarou, como que não acreditando no que ouvia;
-Você tá de brincadeira, certo?
-Desculpe, Díaz. – ela não desciou os olhos de seus afazeres. – Não entendi o que você quis dizer.
-Você vai mesmo cantar essa música... aqui?
-Ora, temos uma oportunidade rara aqui, Nate.
-Que seria...
-Cantar Hotel Califórnia... no Hotel Califórnia. – ela sorriu para ele.
-Céus... – ele resmungou.
-Qual é, Nate. – ela fechou o porta-malas, dando dois tapinhas no ombro dele – Você tá muito azedo. Precisa de um pouco mais de rock na sua vida.
Nate não pôde deixar de rir. Era bom ver Julie com sua irreverência de sempre. Significava que ela estava feliz. E ele ficava contente por ela.
Os caçadores seguiram para o antigo edifício do hotel. A porta estava aberta, convidando-os a entrar.
-Eu vou na frente pra te proteger. Você me segue – Nate cochichou.
-Não preciso de proteção, Díaz. – ela protestou no mesmo tom de voz.
-Não discutem Litman.
A garota viu que não teria argumentos contra o extremamente protetor amigo. Ele era muito teimoso, isso era um fato. Só o que pôde fazer foi seguí-lo pelo hall empoeirado do velho hotel.
Repentinamente se fez um barulho muito forte. Algo que se assemelhava à posta sendo fechada bruscamente pelo vento. Julie e Nate se olharam antes de correr para a entrada e constatar o que já se suspeitava. Correntes impediam sua saída daquele lugar. Estavam presos.
-Droga. – ele resmungou – Tem um impedimento sobrenatural aqui. Só sairemos quando queimarmos o corpo...
O caçador se virou para trás para falar com Julie, mas não a encontrou. Seus olhos vasculharam o recinto à procura dela, sem sucesso.
-Julie! – ele gritou, sem obter resposta.
Ela havia sumido. O que quer que estivesse matando no Hotel Califórnia, estava com ela agora. E a vida da caçadora estava em jogo, dependendo somente de Nate.
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