Capítulo 4

Nate vasculhou a parte de baixo do hotel, na esperança de encontrar a caçadora. Mas, quanto mais o tempo corria, menos possibilidades ele tinha de encontrá-la viva. Droga, Julie, ele pensava. Não é hora de sumir agora. Não agora que você tá quase livre dessa vida maldita.

Suas buscas continuaram e ele foi até o bar do hotel. Ele passou a mão nervosamente pelos cabelos, tentando raciocinar no que faria a seguir. Cada segundo que se passava era um a menos para Julie. E o fato de a vida dela estar em suas mãos não permitiam que Nate pensasse com clareza.

Um pequeno ruído chamou a atenção do caçador. Imediatamente, ele puxou a sua espingarda, engatilhando-a com rapidez. Seus olhos procuraram a origem do barulho, até que se deparou com uma silhueta feminina que lhe era familiar:

-Julie...

O rapaz se aproximou lentamente da figura, ainda com sua arma em punho, inseguro se estava sendo enganado por sua falha visão. Aquela moça era muito semelhante à caçadora mas, de alguma forma, ele sabia que não era ela. Até que se recordou da foto que tinha visto pela manhã no jornal. Seu instinto foi apertar o gatilho mas, antes que a bala com sal grosso a atingisse, ela sumiu.

E essa agora, um fantasma que gosta de brincar de esconde-esconde ele pensou, enquanto vasculhava o local com os olhos por algum sinal da moça. Um barulho veio em da direção do balcão, para onde ele se virou imediatamente. Ele era linda e estava ornada com um belo vestido branco, semelhante à foto. Nada indicava que ela era um espírito, a não ser por um fio de sangue que corria de cima para baixo no canto direito de sua testa. À medida que ele ficou mais perto, sem deixar de lado sua arma devidamente engatilhada, pode ver que havia uma enorme mancha na região da barriga dela, como se tivesse sido apunhalada. Tinha sido assassinada, era uma vítima. Não era, portanto o espírito vingativo que aterrorizava o Hotel Califórnia.

-Ok. – ele guardou a arma no coldre – Já sei que não foi você. Mas quem foi?

Em um piscar de olhos ela estava ao lado dele. O caçador tentou controlar o susto. Tinha certeza que poderia confiar em seu instinto, que dizia que aquele espírito o ajudaria a salvar Julie.

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Os olhos se feriram com a claridade, abrindo-se lentamente e se acostumando com a forte luminosidade. Ela percebeu que estava em uma cama e presumiu estar em um dos quartos do Hotel Califórnia.

Julie procurou reconhecer aquele ambiente. Espelhos no teto refletiam a sua própria imagem . Ela estava com um vestido branco, contrariando o jeans e camiseta que estava usando antes. Daquela forma ela se achou ainda mais parecida da foto do jornal que vira mais cedo, e isso a incomodava profundamente. Odiava essas malditas coincidências, pois nunca eram bom sinal. Começou a refletir sobre o caso. Seria mesmo Leslie a assassina? Ou a vítima?

A garota sentou-se na cama e examinou o quarto com o olhar. Aparentemente era um cômodo de casal. Um papel de parede de flores, já amarelado pelo tempo, ornava o lugar. Móveis de madeira, que pareciam ter sido feitos artesanalmente, davam um ar rústico. O pó espesso e as teias de aranha, semelhantes às encontradas no hall de entrada, acusavam que ali não acontecia uma faxina há um bom tempo.

Em um dos cantos do quarto havia um farto banquete servido. Em uma outra oportunidade, seria tentador sentar-se à mesa e servir-se daquela comida. Mas naquele momento não tinha a menor vontade. Queria saber como viera parar ali e, principalmente, com aquelas roupas. Não tinha cabeça para alimentar-se, embora seu estômago mostrasse que estava faminta.

Havia um móvel bem perto dela. Sobre ele, um balde de gelo com um champagne rose.

-Separei pra vc, querida. – uma voz masculina a assustou e a fez olhar. – Seu preferido.

Imediatamente ela reconheceu o home. Era Jonathan Hathaway. Sua aparência era semelhante à do jornal, como se ele tivesse saído da foto. Em suas mãos, uma faca de prata. Não era um bom sinal, definitivamente. Ela procurou por sua espingarda no quarto. Se tivesse sorte...

-Olha, sinto muito decepcionar, - ela se levantou, tentando planejar uma estratégia - mas não vou ficar pra janta...

A porta se fechou de repente, assustando a caçadora.

-Você não vai me deixar sozinho aqui. Eu sei que você quer ir embora. Quer me deixar sozinho nesse hotel. Mas não... você não vai. Prefiro que você esteja morta.

O espírito enfurecido partiu com tudo para cima de Julie, preparando para apunhalá-la em cheio com sua faca de prata.

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